domingo, 3 de junho de 2012

Aventuras na época da facul

Estudei Engenharia de Materiais no Mackenzie. Dentre todos os colegas que conheci, a Giovana é minha amiga e temos várias passagens engraçadas.

Eu e Giovana não tínhamos dinheiro pra nada. Ela pulava o bloqueio do trem na Estação Barra Funda pra poder sobrar o dinheiro do lanche e eu pasava ao menos duas horas dentro do ônibus Aeroporto, pois assim, sobrava o dinheiro do metrô para o lanche.

Eram dificuldades que a maioria dos estudantes passa, e para nós era sempre festa. Perrengue mesmo era quando começavam as provas.

A gente sempre ia passear na Praça da República. Lá tinha (ou tem) a feira hippie e a gente se deliciava com o artesanatos de lá.

Sempre íamos e voltávamos a pé.

Numa dessas incursões ao centro da cidade eu estava toda feliz com minha bolsa country de couro nas costas e dentro de um dos bolsinhos estava o meu único bem...meu celular.

Atravessando a Xavier de Toledo sentido viaduto do Chá senti que tinham puxado algo do meu bolsinho...

Imediatamente e por impulso, peguei no pescoço da mulher do meu lado e apertava falando..."Devolve, me dá meu celular".

A mulher, de meia idade, estava com uma sacola debaixo do braço e ficou indignada me chamando de louca.

A galera se juntava pra ver o desfecho. Imagina, em pleno viaduto do Chá, eu grudada no pescoço de uma tiazinha.

Não sei onde arrumei tanto sangue frio, mas eu pensava no meu único bem.

De repente, falei assim: "eu sei que meu celular está nesta sacola e se você não me devolver eu vou te levar ao posto policial".

Acho que ela percebeu que eu não ia largá-la, abriu a sacola cheia de celulares e carteiras, me devolveu meu celular e disse: "Cuidado que da próxima vez você fica sem ele".

Soltei o pescoço da tiazinha e ela saiu vazada e não consegui vê-la mais.

Depois de tudo isso, comecei a chorar e com Giovana ao lado, voltei para a aula.

Quem manda ficar andando por aí em horário de aula?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O frescor da irresponsabilidade adolescente

Troquei minha rápida passagem na Sociedade Casa Branca de Contabilidade, por um emprego de auxiliar de escritório na área de cobrança do Clube de Campo Fazenda.

O clube ficava em Itatiba e o escritório na Luis Góes. Quanta lembrança...

Trabalhávamos eu, minha prima Márcia, a Valéria e nossos chefes Eliete e Pedro. Na área comercial tinha outras pessoas.

Depois de um tempo aprontando, a Valéria se foi e no seu lugar entrou a Isabel que foi uma grande amiga na adolescência.

Tínhamos a opção de levar marmita, fazer a comida lá ou almoçar fora. E a gente revezava estas opções.

A gente era tão "responsável" que atrasava o relógio do escritório pro chefe pensar que a gente tinha chegado cedo e próximo a hora de ir embora adiantávamos pra sair mais cedo e pegar o ônibus Catarina vazio.

Quando o Pedro questionava a gente culpava o relógio e nosso coro era "precisa comprar um novo"...

E assim a gente ia aprendendo, aprontando, fazendo 2h30 de almoço e sempre achando que a gente estava certa e ponto.

A gente vivia de modinhas, nossa perspectiva adolescente era terminar o colegial, entrar na faculdade e ir pra matiné do Califórnia no domingo.

Chegou 0tempo da calça bag da Zoomp e o sapato London Fog. Mas a gente usava as marcas genéricas. A calça era Versatti ou Zune e pra fazer as vezes do London Fog a gente usava o 775.

Um dia, eu e a Isabel resolvemos ir até a praça da República comprar o 775. Resolvemos e fomos na hora do almoço. Simples assim.

Até aí tudo bem se a gente usasse somente nossa hora de almoço, mas nossa razão adolescente não tava nem aí pra isso. Entre trajeto e compra gastamos 2h30. Pra quem tinha 01h30 de intervalo...tá bom pra você?

Viemos embora empolgadas com a compra e tomamos metrô no sentido Santana. A gente ia pra estação Santa Cruz, sentido Jabaquara.

Só percebemos na estação Armênia. Rindo, voltamos. Quando a gente desceu na Santa Cruz o mundo estava se acabando em chuva. Já tínhamos gasto 03h30 de almoço. Oh responsabilidade...

Sabe o que fizemos?

A gente não queria molhar o cabelo (é a chapinha já era moda) e nem o sapato novo.

Sem pensar e com toda a razão que Deus nos deu, ligamos a cobrar para o escritório (não havia celular) e pedimos que a Eliete (nossa chefe, dona do escritório) viesse nos buscar no metrô.

Que alma caridosa não se sensibilizaria com nosso problema? Ela. A Eliete.

Berrou ao telefone, nos chamou de irreponsável (absurdo) e disse pra gente se virar.

E a gente se virou. Entramos na Esfiha Chic, afinal não tivemos tempo de almoçar, comemos e compramos esfiha pra levar pra mal educada da Eliete.

Chegamos no escritório com a maior cara lavada, levamos bronca e ficamos com raiva de tanto que a Eliete era injusta.

Hoje dou risada quando me lembro dos episódios do Clube de Campo. Este foi apenas 1. Aguarde!

sábado, 17 de setembro de 2011

Às amigas da Velha Infância

Hoje tivemos mais uma edição do "Chá da Velha Infância". Desta vez o encontro foi aqui em casa. Faltou a Gisele que tinha um compromisso.

Adriana, nos fez uma surpresa singela e emocionante: um vídeo com a música "Impossível de Esquecer" com fotos de alguns dos nossos muito momentos juntas.

Chorei emocionada, pois temos um história com H (maiúsculo) e a cada dia sinto que apesar da lida do dia-a-dia, de cada uma ter sua família, da distância estamos mais próximas.

Sentimos a necessidade de nos vermos com mais frequência e a gente sempre acha que cada encontro foi curto demais.

A Isabel nos trouxe fotos da sua festa de 18 anos, e o vídeo da Dri comprovam a máxima de que somos como vinho, ou seja, quanto mais envelhecemos melhores ficamos.

A idade, além da maturidade nos traz também a leveza, leveza de quem já fez algo na vida, mas que ainda tem garra para querer mais e fazer acontecer, mas sem o senso de urgência de quando éramos jovens pois hoje damos mais valor ao saber viver.

Cada dia comprovo mais essa leveza, para mim e para as amigas da velha infância o que importa é viver em paz, harmonia, buscar a beleza e a felicidade das pequenas coisas, o valor da amizade.

Dedico a vocês Adriana, Gisele, Helena e Isabel: "A amizade, nem mesmo a força do tempo irá destruir, somos verdade...quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por vocês existirem AMIGAS!

Amo vocês mais que brigadeiro de colher!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Minhas amigas, nossas conversas na esquina, nossas lembranças...

Quando tínha uns 16, 17 anos a nossa turma de meninas era unida, bem unida. A Adriana, Isabel Grande, Giselle e Helena.

A gente ficava às sextas e sábados na esquina da casa da Giselle, fizesse frio ou calor. No frio, além de nós o vinho são Tomé e uma pizza nos acompanhavam até de madrugada. No verão, geralmente uma Coca-Cola 2 litros e frango assado com pão. Tudo isso na esquina, com uma higiene duvidosa.

A gente falava sobre tudo: meninos, sonhos, o que tinha acontecido no Califórnia, enfim, a gente falava de tudo e não tínhamos segredos, ou pelo menos pensávamos que não tínhamos.

Muitas sextas-feiras elas iam esperar eu e a Adriana que vínhamos do cursinho e a parada na esquina era obrigatória.

Quando meus pais e irmãos viajavam e o Duda ia dormir fora, a gente fazia algumas reuniões em casa. A Isabel Grande fazia pizza, inclusive a massa. A gente comprava vinho e refrigerantes e em algumas ocasiões cerveja, mas a gente não gostava muito.

Alugávamos filmes, O Selvagem da Motocicleta, The Doors, O Selvagem da Motocicleta, O Selvagem da Motocicleta, porque tinha os atores mais lindos da época...tudo isso regado a vinho e pizza.

Depois dos filmes e da pizza a gente ia passar trotes para o exército. A gente perturbava os coitados dos soldados.

Perguntávamos se era do exército da salvação, pq a gente queria se doar, isso os deixava animadinhos e aí rolava conversa até.

A gente chegou a marcar encontros em shoppings, mas a gente era fogo de palha e nunca ia. Aí, numa outra sessão a gente ia encher outros soldados e a gente se divertia, e a gente era inocente e a gente era unida.

A vida de cada uma de nós tomou rumos diferentes, mas a gente mesmo com a vida louca procura não deixar essa leveza de nossa amizade passar. Periodicamente nos encontramos em chás, regados a tudo menos a chá e vamos lembrando de nossas peripécias, fazendo novas e sempre procurando não deixar nossa alegria de lado.

Amigas, amo cada igualmente mas cada uma tem uma particularidade que faz este amor prevalecer. A distância não diminui o amor nem a amizade. A gente percebe isso quando a gente se encontra.

Agora estou sorrindo por perceber que quando nos encontramos, voltamos a ser aquelas meninas da esquina e das sessões de filme e pizzas...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Briga de gangues - Selvagens da Noite!

Faz um tempo que não escrevo. Meio sem tempo, pouca coragem, mas voltei!

Na adolescência, tínhamos uma turma grande e íamos todos os sábados à bailes, aos domingos nas matinês do Califórnia Dreams ou na Toco e às vezes na Contra-Mão.

Nesta época nossa turma era beeeemmmm grande, pois se juntaram à nós o pessoal da Mascote e com eles vieram Dilma e Delma, Laércio, Manezinho, Demo, enfim vários agregados.

Nossa turma como toda turma naquela época tinha uma richa com o pessoal que ia aos bailes da Spark Som "O som do momento". Tudo isso porque em nossa turma, meu irmão Duda - Dj Duda, meu primo Jair que até hoje tá na pegada e o Hilton, famoso Dentinho, Dj Mr. Ha. Mesmo com a richa entre as equipes, a gente frequentava os bailes deles e eles os nossos.

E a gente achava e era verdade, que o som dos meninos era muuuito melhor que dos chilenos da Spark Som.

Alguém lembra daquele filme "Selvagens da Noite" em que as gangues se encontram e a confusão é instalada?

Pois é, tivemos nosso momento Selvagens da Noite. Certa vez o Well (Marcão) arrumou uma briga com o pessoal da Spark Som e foi marcada uma reunião da nossa turma com a turma da Spark Som para resolver a parada.

O encontro foi marcado no estacionamento do Barateiro, hoje Compre Bem, numa quinta-feira às 20h00.

Nossos pais nem podiam imaginar este evento, mas minha mãe tem faro pra coisa errada e ficou de bituca ligada.

Fomos meninos e meninas armados com pedaços de pau e fomos chegando ao estacionamento por um lado e o outro pessoal por outro. Parecia cena de filme.

Os seguranças do Barateiro fecharam as portas e ninguém saía nem entrava. Tenho certeza que chamaram a polícia.

Mas como tudo em nossa época era leve, o nosso CONFRONTO, foi uma conversa entre o Well e o menino que ele tinha brigado, deram-se as mãos e graças a Deus ficou tudo bem com a promessa de respeito entre as turmas.

Cada turma virou as costas e foi embora. Quando a polícia chegou acho que já estávamos em casa. Ainda bem....

quinta-feira, 24 de março de 2011

Meus primos e eu

Nasci paulistana, mas meu coração é mineiro. Todas as vezes em que estive lá seja visitando minha família, ou a trabalho sinto que aquelas montanhas são o lugar onde eu sempre quis estar.

Como disse em post anterior, Minas fez parte de toda a minha infância, adolescência e sinto uma paz enorme todas as vezes que desembarco em Confins, mesmo sabendo que é a trabalho. Geralmente vou pela manhã, trabalho o dia todo em Betim depois volto. Só de receber o sol e a hospitalidade dos mineiros eu me sinto em casa. Sempre.

Tenho uma história triste, mas que me intriga até hoje. Tive muitos primos e alguns partiram muito cedo. Dois deles fizeram parte de minha infância, "com força". O Cláudio filho do tio Fernandinho, meu tio "cientista", e o Fernando filho da Tia Lita e que pôs pimenta na minha chupeta.

Tinha desde pequena alguns "pressentimentos" que mais tarde confirmei ser mediunidade. Esses meus dois primos eram alguns anos mais velhos que eu, mas pouca coisa e quando eu tinha uns 12 anos eu pressenti que eles iriam embora logo assim como eu.

Sempre falei destas coisas com minha avó Geny, converso com o Giba e também com meus irmãos do centro espírita o qual frequento.

Sempre disse à minha avó que eu, o Cláudio e o Fernando morreríamos entre os 30 e os 37 anos. Minha avó sempre me falava pra eu parar de pensar em "bubiça", mas este sentimento sempre esteve muito forte dentro de mim.

Até que um dia, meu primo Fernando se foi, depois foi meu primo Cláudio. Todo mundo que eu comentei sobre isso acha que é coincidência, mas eu não. Sempre tive a certeza disso, a única dúvida que tenho é o porque de eu estar aqui ainda. Às vezes comento este assunto com o Giba e ele faz graça dizendo que "apostou" na minha premonição, mas olha eu aqui até hoje...rsss

Estudo muito este assunto e até recebi algumas respostas, mas a energia do mundo sempre me fascinou. E o espiritismo lida somente com isso mesmo, a energia.

Eu tenho vontade de receber um sinal, uma mensagem de meus primos do porquê eu fiquei. Sei que eles tem a resposta.

Hoje me peguei lembrando de vocês dois, quando a gente tava em Monlevade. Vocês sempre rindo, aprontando. Saudade boa...amo vocês.

terça-feira, 15 de março de 2011

Meus primeiros bailes

Quando eu passei para o ginásio (5a. série), houve uma mudança bastante significativa. Antes tinha apenas um professor que nos ensinava várias matérias e na quinta série passamos a ter 7 matérias lecionadas por professores diferentes.

Todos os dias eram 5 aulas de 50 minutos e o horário era das 13:30 às 18:00 de segunda a quinta e glória a Deus, na sexta-feira, era das 13:30 às 17:18.

Muitos de minha sala já faziam parte da minha vida escolar desde a primeira série e vieram se juntar outros colegas queridos. Minha turma era a Mônica Massari, a Josefa, a Luciana Satie, a Silvana. Essas as mais próximas. Os meninos eram o Fernando, o Neneca, o Hélcio, o Márcio, o Alexandre. Também eram os mais próximos.

A maior e melhor lembrança desta época era que sempre às sextas-feiras, saíamos as 17:18 e a gente ia pra casa do Neneca, ele tirava o aparelho de som 3 em 1 para a garagem e a gente fazia bailinhos até as 18:00 e voltava para casa.

Detalhe, estes bailes eram somente de música lenta e a gente ficava lá por aproximadamente meia hora dançando dois pra lá e dois pra cá. A mãe dela trazia sempre uma jarra com água e copos, os meninos usavam uma vassoura e quando queriam dançar com uma das meninas que já estavam a bailar entregavam a vassoura ao menino que estava dançando com a gente e as meninas acabavam dançando com todos. Detalhe: todos leia-se 4 meninos.

Ali iniciava-se minha longa vida de bailes que amo até hoje mas vou com menos frequência. Afinal apesar do meu Amore também gostar, não temos mais paciência de ficar à noite toda num baile, numa balada.

Descobrimos agora baladas de sábado à tarde - das 14:00 às 22:00, ou seja, estamos voltando no tempo e frequentando matinee. É uma delícia, samba de raiz, cerveja, gente muito boa e ambiente familiar.

Xi, vou parar de escrever. Conversa mais de tiazinha essa, sô!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Que tempo bom, que não volta nunca mais!!!!!!!!!!!

À medida que a turma da rua ia crescendo, alguns de nós íamos estreitando nossos laços e eu, a Adriana e a Isabel estávamos sempre juntas aos meninos, Duda, Ciro, Vaguinho, Naninha, Dentinho, 1000thon, Carlindo, Américo, Well.

Os meninos começaram a trabalhar antes da gente, mas as meninas sempre arrumavam um dinheirinho pra sair com eles.

Íamos ao cinema Paramount, na Brigadeiro, ao cinema do Shopping Ibirapuera, íamos à Esfiha Chic (naquela época não existia Habib´s nem Mister Sheik).

Era sempre uma festa e a gente causava no Catarina (ônibus). Algumas vezes tivemos que descer em frente à delegacia 35, tamanha a bagunça e aí a gente ia embora a pé.

Em São Paulo existiam poucos Mc´Donalds e a gente uma vez foi ao Mc Castelinho na Paulista, ele foi o número 1 em são Paulo e hoje já não existe mais.

O Naninha dava aquelas risadas, o Duda e o Ciro enrolavam os canudos e depois batiam o dedo e eles estouravam e nós ficávamos assoprando os canudinhos pra fazer aquele barulhão.

Imagina o que pensavam os frequentadores vendo aquele bando de bagunceiros? Pensavam que a gente era um bando de sem educação.

A bagunça foi tanta que fomos convidados a nos retirar de lá. Adivinha como saímos? Fazendo mais bagunça ainda.

Às vezes também a gente ia comer no Bexiga, bairro italiano de SP, na cantina Lazarella. A gente enfrentava fila pra entrar, mas valia a pena. Lá era um típica cantina, com salames, fitas coloridas, queijos, e muitas bugigangas penduradas. Ainda tinha o pessoal que vinha cantar em nossa mesa, batíamos palmas. Enfim a gente teve ujma adolescência bem saudável.

Ninguém bebia, era só refrigerante. Depois a gente ficava na frente do tradicional Café Piu-Piu vendo o movimento daquela "festa estranha, com gente esquisita".

Comíamos cachorro quente na barraquinha. É mesmo depois de encher as panças na cantina, sobrava um ladinho pro cachorro-quente.

E depois íamos nós andando até a Brigadeiro, para pegar o último Catarina e torcer para que o motorista não se irritasse com a bagunça e nos deixasse na 35.

"Que tempo bom...que não volta nunca mais"

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Introspecção

Hoje, particularmente, estou num dia de introspecção daqueles bem bravos, pensando em várias coisas e com vontade de escrever tudo o que estou sentindo.

Quando tiver um ou mais filhos, quero criá-los como mãe mas de forma que eles sejam meus amigos, que compartilhem comigo suas dúvidas, suas certezas, suas angústias, suas alegrias, descobertas, etc.

Creio que não serei uma mãe permissiva, gosto de limites e acho-os necessários, mas sempre respeitando o jeito de ser de cada um.

Quero ser uma mãe carinhosa, que acolhe, que escuta, que brinca e desta forma, quero que eles não me escondam o que se passa com eles, pois acredito que o pior sentimento que um filho pode ter a respeito de uma mãe é o medo e a desconfiança.

Também acho que deve ser difícil criar filhos, pois como diz o ditado "Os dedos da mão não são iguais, imagine os filhos". É um grande desafio, mas creio que a mãe enxerga as diferenças, respeita, orienta e acima de tudo AMA seus filhos independente de suas diferenças.

Acredito que com todas estas diferenças, um dos fatores fundamentais de uma família é a união, o amicismo entre os pais e filhos. Uma mãe nunca deve incitar um filho contra outro.

Uma vez, vi dois irmãos brigando e a mãe ao invés de ignorar ou incitar os chamou, não gritou, conversou e frisou que eles tinham que ser amigos sempre. Os fez se abraçarem e se beijarem.

Achei muito bonito e caiu uma lágrima. Quero criar meus filhos assim!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Velha Infância 17

Minha mãe e a Tereza viviam se juntando em algumas tardes do mês para fazer bolos para eu, o Duda, o Hélder e o Victor.

Elas passavam a tarde inteira assando, recheando e a gente de minuto a minuto ia perguntar se estavam prontos.

Geralmente era mais que um bolo, e a especialidade delas era um bolo de amendoin (maravilhoso) e o bolo de Coca-Cola.

Depois de terminar elas dividiam os bolos na metade, uma metade de cada bolo para cada uma e a gente podia saborear.

Minha mãe sempre falava que o bolo estava quente, que precisava gelar. Sinônimo para, só vão comer depois da janta.

Como as horas demoravam a passar...

A gente jantava e aí podia saborear os bolos, e eles duravam uns 3 dias. Depois que acabavam a gente atormentava para elas fazerem mais.

Fora os bolos, minha mãe sempre nos fazia uns pasteizinhos de massa e queijo parmesão que nos esperavam chegar da escola quentinhos. Até hoje elas os faz, mas como não moro mais lá, só como quando ela faz e estou por lá ou quando ela guarda um pouquinho pra mim.

Faz também pães de minuto, saladas de carne, uma delícia.

Minha mãe cozinha muito bem, não tão bem como minha avó Geny, sua mãe, mas está bem acima da média.

Eu não gosto muito de cozinhar por obrigação, meu marido coitado sofre com isso, pois não faço comida todos os dias, faço somente quando quero. Porém quando faço, é com tanto amor que a comida sai sempre saborosa.

Quando eu era mais nova, gostava de fazer bolos e todos os aniversários na casa da Adriana eu era convocada pela Alderize, sua mãe, para fazer bolo prestígio.

Hoje em dia sou melhor na comida, do que nos doces e bolos. Perdi a prática.

Ou talvez após quase três anos de casada, não tenha aprendido a usar meu forno.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Velha Infância 16

Comecei a trabalhar com 16 anos na Sociedade Casa Branca de Contabilidade, em frente ao Lar Croatia na estação Conceição do metrô. Era recepcionista e quem arrumou para mim e para o Humberto, irmão da Adriana que era office-boy, foi a Kátia irmã do Waguinho.

Lá meus chefes eram a temida Helena Seo, que como diz meu pai fumava como uma caipora (naquela época não tinham as proibições de hoje com relação ao fumo) e o Luiz Shoji Kurata que era tido como bonzinho pelos outros.

Trabalhei lá exatos 30 dias - 18/03 e 18/04. Ao contrário de todos os outros funcionários eu gostava da Helena e detestava o Luiz que eu achava um grosso.

A cada dia ele me fazia uma grosseria o que me fazia ir chorando trabalhar todos os dias até que meu pai sentenciou "Sai dessa merda, porque não aguento esse choro todo dia de manhã". E foi o que fiz.

Mas antes de contar isso, eu tomava conta dos office-boys, o livro caixa (que a Helena me dizia que eu era a primeira que o controlava corretamente), aprendi a manusear um guia de ruas e atendia o telefone. Apesar de não tomar café tinha que fazê-lo e limpar o banheiro, coisa que não fazia nem em minha casa.

Tinham momentos engraçados quando no meio do dia e as máquinas de calcular pegando fogo, a Kátia levantava, fazia uma dancinha e cantava "é disso que gosto, é disso que eu gosto".

O Gerson que estudou comigo também trabalhava lá.

A gente levava marmita que eu odiava e todas as sextas a gente comia lanche de pão francês com linguiça no bar da esquina.

Geralmente eu e o Humberto íamos e voltávamos a pé para economizar o dinheiro do busão.

Tinha mais pessoas legais e sempre como em todos os lugares há um puxa-sacos e lá era o Marcos, que só faltava lamber o chão para os chefes passarem.

O Luiz sempre fez de tudo para ser grosso comigo e um dia, eu fui fechar as janelas de sua sala para ir embora e ele estava ao telefone. Como ele não gostava que entrassem quando ele estava ao telefone fiquei na porta. Quando ele desligou gritou comigo "O que você quer? Não pode esperar para fechar a janela?" , respondi prontamente e no mesmo tom - "Não porque tenho que ir embora pois tenho aula". Ali eu decidi que não queria mais trabalhar lá.

Fui embora contei pro meu pai que deu sua sentença e lá fui eu no dia seguinte decidida a me demitir.

Decidida até chegar lá, pois tava dando 14h e eu ainda não tinha conversado com a Helena Seo, que passou do meu lado e disse "Você tá com uma cara de ponto de interrogação". Esperei-a voltar da escrita fiscal e pedi pra falar com ela. Pedi a conta e falei a verdade, que era por causa do Luiz. Foi um alívio sair dali. A atmosfera era muito pesada.

Ela lamentou, mas aceitou. E muito tempo depois a Kátia e o Humberto diziam que ela falava "Pra cuidar do livro caixa igual a Regina, até hoje não achei".

Uma semana depois, fui trabalhar na cobrança do Clube de Campo Fazenda na Luis Góes. Quem me arrumou foi a minha prima Márcia.

Mas isto eu conto em outro post.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Velha Infância 15

Quando chegava os finais de semana de verão, a gente sempre ia tomar os famosos sorvetes da ia Ditinha.

A "sorveteria" da tia Ditinha era na garagem de sua casa e era uma máquina daquelas que tem o suco artificial em tubos, a gente escolhia o sabor e ela fazia a mágica de sair sorvete.

A gente tomava um, dois, o quanto aguentávamos.

Não existe na Catarina quem não tenha tomado o sorvete da Tia Ditinha.

Até criei uma comunidade no Orkut e depois repassei a administração da comunidade para a Viviane.

Ela era uma senhora alegre, seu marido era um senhor que eu achava ser bem mais velho que ela e hoje penso que ele tinha Mal de Parkinson.

Ela tinha um filho adotivo, que acabou com a sorveteria após ela adoecer. Uma pena.

Na entrada da escola tinha o Seu Zé do carrinho que vendia doces, balas, arrozinho rosa, dip´lik e tudo o que era porcaria. A gente adorava.

Ele ficava lá na entrada e na saída e morava na minha rua. Talve por conhecer os nossos pais, a galera da minha rua até tinha conta no Seu Zé.

Acho que ele não é mais vivo, mas adoçou a vida de muitos alunos do Comenius.

Ah tinha o sorvete quente, um pirulito em formato de sorvete, que a gente comprava e ficava chupando a tarde inteira até a hora de ir embora. Era de açucar queimado, colorido artificialmente de rosa.

Não era igual ao da tia Ditinha que refrescava, mas era muito bom.

Nosso bairro tinha muitos atrativos para os que gostavam de doces. Além da Tia Ditinha e do Seu Zé, tinha o Jerônimo que fazia balas de coco que eram de comer rezando. Minha mãe encomendava para nós, mas bastava sobrar uns trocadinhos a gente corria no Jerônimo para comprar um pouquinho de bala.

Tinha também a perua do padeiro, que vendia pães doces, roscas e bisnaguinhas que eram as nossas preferidas lá em casa.

Um dia, o Fábio, muito pequeno fez questão de ir pegar as bisnaguinhas na perua e saiu levando uma sacolinha. Chegando lá ele disse "quero 8 nhaguinha". Minha mãe da janela ajudou o padeiro e confirmou o pedido, 8 bisnaguinhas.

Não posso esquecer da pamonha, pamonha, pamonha, pamonha de Piracicaba. Nunca gostei de pamonha, então essa passagem me era indiferente. Um dia a gente tava em frente à casa da Dri e a Gabi nos disse que não sabia porque ele falava pamonha de Piracicaba, pois Pira nem é a cidade da pamonha. Coisas de Laurinha....

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Velha Infância 14

Minha mãe quando pequena também ia com minha avó Geny passar as férias em João Monlevade matar as saudades de meu avô "Sô" Zé Fernandes.

Ela foi a "incendiária" de Monlevade. É parece título de "As Cariocas", mas não é. O incêndio foi bem mineirinho.

Não sei direito com quem ela brincava, só me lembro q ela brincava com a "Paricida" que deve ser neta da vó Julieta.

Jõao Monlevade é uma cidade que eu amo, parte de minhas raízes estão lá, mas não se desenvolveu. Imagina como era na época da minha mãe.

Tinha uma estrada de ferro que minha mãe e a "Paricida" sempre davam umas fugidinhas pra ver o trem passar. Um belo dia, as duas belas foram para a linha do trem com uma caixinha de fósforo. Lá havia umas casinhas de sapé beirando a linha.

Minha mãe e "Paricida" ficaram jogando fósforo e o trem passando. De repente o teto da casinha começou a pegar fogo. Não sabemos se foi faísca do trem ou o palito de fósforo.

Só sei que elas correram que não foi vida, e subiram a ladeira do Hotel Santo Elói a tempo de assistir de longe o desespero das pessoas para apagar o fogo.

Todo mundo ficou desesperado e elas nunca contaram a ningúem sobre o fósforo. Não sei como minha vó Geny e minha vó Julieta sabiam. Tanto que contaram pra gente tempos mais tarde!

Minha mãe nega de pé junto que não é verdade, mas eu acho que minha mãe foi incendiária sim.

A vó Julieta era uma pessoa muito simples e de bom coração. Na família ouvia a chamarem de papa-defuntos, pois, não havia morto na cidade que ela não fosse velar.

Cada um tem sua mania né?

A Elaine, minha prima, sempre foi muito bonita e chamava atenção desde pequena. Minha vó Julieta a chamava de minha "lindra", ao invés de linda, mas era muito carinhoso.

Posso contar um segredo? A gente tirava sarro da coitada toda vez que ela, chamava a Elaine de minha "lindra".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Velha Infância 13

A amizade de nossa turma se consolidava a cada dia e a gente tinha certeza de que nada nem ninguém iria nos separar. Doce ilusão adolescente, a vida tem um rumo para cada um de nós. Muitos passam pela nossa vida, mas poucos ficam.

Aos 14 anos meus pais já me deixavam viajar com a Adriana, Isabel e a Nana. Mas a gente sempre ia acompanhada de algum adulto. Geralmente era a mãe da Adriana.

Num carnaval fomos para a praia numa sexta-feira. Cidade Ocean.

Alugamos a casa e a Dona Alderize, a tia da Adriana e o Humberto iriam no sábado pela manhã.

Quando chegamos à casa, vimos que no quintal eram duas casas e na outra havia vários "caras". Um deles tinha um Gol GTI (era "o carro" na época) e a gente achou o máximo.

Mas éramos meninas, bichos do mato e nos trancamos em nossa casa, com "medo" dos meninos. Ficamos apovaradas quando vimos que as duas casas eram separadas por uma porta e os meninos ficavam pedindo pra gente abrir. A gente nem dormiu direito de "medo", foguinho pra dizer a verdade. E só sossegamos quando a mãe da Dri e sua tia chegaram.

Íamos à praia e quando a gente voltava, os meninos estavam lá no quintal com o som na maior altura. A tia da Adriana ficava brava com o barulho e vivia gritando com os meninos que tiravam o maior sarro. Ela falava "os maloqueiros são da Vila Sabrina", a gente ficava com vergonha, mas tudo bem.

A gente viajava com o dinheirinho contado, mas suficiente para tomar um sorvetinho, um suco, enfim se divertir.

Uma tarde fomos à sorveteria e a Nana foi a única que não tomou sorvete. A gente ficou com a pulga atrás da orelha porque ela era tão canguinha.

Neste dia a gente tava falando muitas bobagens e o sorvete da Adriana estava derretendo e a Isabel saiu com essa: "Seu sorvete tá tendo um "ÓRGAMOS", em vez de dizer orgasmo. A gente riu até e voltou pra casa porque a Nana ia fazer escova (é acreditem na praia ela fazia escova) pra gente ir pular carnaval no Ocean Praia Clube à noite.

A gente tava animadíssima para o baile, pensando quantos gatinhos a gente ia encontrar. Mas enquanto a Nana se arrumava a gente mexeu nas coisas dela e a Adriana encontrou um "bolo" de dinheiro escondido numa blusa da Nana. Pão dura!

Aqui no litoral, as pessoas tinham mania de jogar bexiguinhas d´agua nas outras. Como a gente estava indo pro baile, resolvemos ir pelo calçadão da praia para que ninguém jogasse nada na gente.

A gente tava toda desencanada de shortinho e chinelos e a Nana tava maquiada, de saltinho e shortinho com cinto. Ela tinha mania de andar de social.

De repente, um cara atravessou a rua com um balde d´agua na mão e jogou na cabeça da Nana. A gente começou a rir e a Nana disse: "Foram jogar justo na mais arrumadinha?" Rsssss

Voltamos pra casa e o Ocian Praia Clube ficou para o dia seguinte. Fomos, o baile era uma porcaria e só tocava "Bandeira Branca" e só tinha tiozinhos. Voltamos antes do fim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Velha Infância 12

Na época do ginásio, alguns de nossa turma estavam na mesma série ou em série avançada ou em inferior. Portanto, na escola cada um tinha sua turminha a qual incorporava na entrada, na hora do recreio e na saída.
Chegando em casa, a turma voltava ao seu normal. Ou seja, a gente voltava às amizades da rua.

Estudei com o Naninha desde a primeira até a quinta série. Ele é filho da Dona Dadá e seu pai se chamava Valdomiro, ou seu Miro. Ele era muito divertido, marceneiro e tinha uma Brasília vermelha que algum tempo depois virou "nossa".

O Naninha sempre teve um coração de ouro e a gente abusava dele. Na hora do recreio ele comprava biscoito de polvilho e a gente chegava junto e comia tudo. O coitado ficava sem nada. Até q ele começou a deixar a gente comer e comprar um só pra ele.

Uma vez tivemos que apresentar um teatro de marionetes. O Naninha deu a idéia de a gente apresentar um teatro do "Clube do Bolinha", quem não se lembra de suas dançarinas e do famoso bordão "Um passo para o sucessooooooo!". Seu Miro fez o palco, a Dona Dadá a cortina, nós fizemos as marionetes e o Naninha imitava o Bolinha. Foi um sucesso.

Fora as aulas, o Naninha era amigo a turma da nossa rua. A Dona Dadá fazia pizzas pra gente ir comer lá na casa dela todos os sábados. Ela gostava de ter os filhos e os amigos de seus filhos por perto.

Ela o chamava de Ninha e tinha um cachorro que tratava como filho, o Husky.

Era muito engraçado vê-la na sisudez de mãe e quando estava conversando com as nossas mães falando "bobiças", qua na época eu não entendia.

Até hoje ela não mudou, só que agora fala as "bobiças" pra mim também.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Velha Infância 11

Minha casa e a casa do "Seu Carlindo" e "Dona Carminha" eram o nosso QG. Quando não estávamos numa casa, podiam procurar na outra.

Nesta época a turma já tava bem grande. Éramos: Eu, a Adriana, a Isabel, e eventualmente a Inês que era muito séria. Os meninos eram: O Duda, o Ciro, o 1000thon, o Carlindinho, o Naninha, o Edsinho e o Dentinho.

Aos sábados alugávamos várias fitas de vídeo e ficávamos assistindo na casa de Dona Carminha. A gente comprava, esfiha, pizza, coca-cola, pipoca e ficava quase a noite toda.

A gente fazia muita bagunça, o Duda ficava jogando almofadas em todos até que a Dona Carminha falava: "Deixe de tentação menino". Parava por poucos minutos e começava de novo.

Já seu Carlindo queria mesmo era nos recrutar pro dominó. Os mais fanáticos sempre foram o 1000thon e o Naninha.

A tv e o vídeo ficavam em um quarto vazio com colchões. Detalhe o controle remoto da tv era um cabo de vassoura.

Assim eram nossos sábados e às vezes domingos.

Os meninos sempre foram Corinthianos fanáticos como eu, e meus irmãos e meu pai Santistas roxos. Eles iam assistir aos jogos do Santos em casa e ficavam catimbando o Santos para perder. Funcionou 2 vezes, depois meu pai não deixava eles entrarem em dia de jogo. Passional total.

O Ciro sempre jantava às 19h30 e ele mesmo se virava. Comprava pasteizinhos e nuggets e os preparava. Eu e o Dentinho íamos lá quase todos os dias no horário da janta dele e ele nunca nos oferecia e fritava a conta certa pra ele. Adivinha se eu e o Dentinho não roubávamos sua mistura. Ele virava fera. Nunca mexam na comida do Ciro...rsss

Todos nós nos sentíamos em casa, mesmo que os meninos não estivessem. a gente chamava, entrava e ficava lá, ora conversando com a Dona Carminha, ora assistindo televisão, ou simplesmente lendo jornal até que um deles chegassem. Hoje o Ciro mora em BH por conta do trabalho, a Inês casou e infelizmente não temos mais a querida Dona Carminha. Mas a recepção nunca mudou.

Hoje quem nos recebe é o Sr. Carlindo, o Frango, ops, André (raspa do tacho) e quando não está atrás de suas conquistas o 1000thon. Ah e também o Felipe, o papagaio da casa.

Velha Infância 10

Sempre passávamos alguns dias das férias em Jõao Monlevade-MG. Todas as vezes que íamos pra lá era uma festa.

A gente ficava com duas vós: a Geny e a vó Julieta, casada com meu avô "Seu Zé Fernandes". Ele, assim como meu tio Betão trabalhavam na Belgo Mineira.

Na casa deles, todos os netos eram reis e rainhas e a gente adorava. Minha avó cozinhava no forno à lenha, tinha um pomar no quintal atrás da casa e meu vô era apicultor nas horas vagas.

Todos os dias de manhã, a vó Julieta preparava nosso café da manhã, pão com queijo, bolo e logo depois já emendava o preparo do almoço, que a gente saboreava tomando Guarapan.

A casa ficava em frente à uns taludes que a gente ficava brincando de acampamento com os filhos da vizinha
Dona Lili.

Comia canudinhos de doce de leite, feitos pela esposa do "Seu Dequinha" e adorava quando meu pai e meu avô iam tomar uma cachacinha no bar, pois eu ia junto e ganhava vários doces.

O Joel era neto de minha avó Julieta, mas ela o tratava como filho e ele brincava muito com a gente.

Um dia a gente resolveu fazer um piquenique na montanha em frente à casa dos meus avós, minha vó nos deu lanches, as meninas e meninos da vizinha levaram suco e a gente passou uma tarde tão boa, que esqueceu de voltar. Aí a gente só ouve minha mãe gritar: Gina, Duda, hora de voltar.

Ao lado da casa de meus avós tinha o Hotel Santo Elói e em sua frente um talude cheio de entulhos. Um dia o Zezé, filho da vizinha de minha vó Julieta ficou imitando meu sotaque. Fiquei brava, baixou a Mônica em mim e eu empurrei o Zezé talude abaixo. Não sei como ele não se machucou. Ainda o chamei de porco e disse que porco tinha q ficar no chiqueiro e lá era o lugar dele. Só não apanhei porque minha vó não deixou.

A gente visitava as primas e primos da minha mãe e eu gostava porque sempre tinha uma guloseima pra comer. Depois que comia, achava a conversa chata e ficava louca pra ir embora. O irmão da minha mãe, o Tio Fernandinho que morava na Vila Tanque e eu o achava cientista, pois ele fazia crescer xuxu dentro de garrafas. Minha tia Nilza, sua esposa, fazia as melhores batatas fritas do mundo. Quando voltava à São Paulo eu batia no peito de orgulho ao dizer que tinha um tio cientista.

Tinha também o meu Tio Hélio, surdo-mudo, mas considerado o melhor mecânico de Monlevade. Ele era muito carinhoso, assim como meu Tio Beto que era meu xodó, até depois que ele casou com a Margareth, minha tia querida também não larguei do pé dos dois.

Eles tinham muitos amigos e todos iam nos visitar.

Depois de Monlevade a gente ia pra Itabira, casa de minha Tia Lita e meu Tio Geraldo. Lá tinha uns primos maiores que nós e outros de nossa idade. Tinha o Ely, o Geraldo José, a Eliana e o Fernando e a Elaine eram da nossa idade. O Fernando sempre escondia minha chupeta e a gente vivia em pé de guerra. Uma vez a gente tava indo embora e eu desesperada com a chupeta. O Fernando trouxe e coloquei-a na boca. ele saiu correndo pois ele tinha posto pimenta na minha chupeta. Isso rendeu anos de mágoa besta, pois nunca mais falei com ele. Anos mais tarde, só falava oi e tchau. Ele ficou doente, infelizmente faleceu e hoje percebo como fiz errado. Coisas de criança, são coisas pra lembrar e rir. Pena que não pude rir com ele por puro orgulho.

A casa da tia dava fundos para um asilo e nossa diversão era ficar olhando os velhinhos. Tinha a Deuzita uma senhora que tinha problemas mentais como a maioria dos velhinhos de lá. Todas as vezes que a gente olhava mexíamos com ela pra ela nos xingar. Ela jogava na gente tudo que tinha na frente e às vezes eram pedras. Nesta hora a Tia Lita saía no quintal e mandava a gente descer do muro. No asilo também tinha  a Bala Doce, uma senhora que não podia nos ver que pedia "uma bala doce".

Eu a a Elaine, nos correspondíamos por cartas, contando as novidades. Coisas de criança. Tempos bons.

Tinha a Neoci e o Filhinho, vizinhos dos meus tios. Seus filhos Islen, o Jose, que até grande também chupava chupetas como eu e o raspinha do tacho q não lembro o nome.

No casamento não sei se do Ely ou do Gerlado José, nós fomos e minha vó Geny também. A desagradável da Neoci ficou tirando sarro da bolsa da minha vó Geny. Até hoje acho o fim uma pessoa desrespeitar os idosos. Minha porção Mônica se manifestou, pois vi que minha vó ficara chateada, mas ela era adulta e meus pais ensinaram a respeitar os mais velhos. Mas meu respeito por ela acabou ali, pra sempre.

Em Itabira a gente visitava a Tia Peixinha, ia ao Valério Doce. Perto da casa da minha Tia tinha uma doceria que desfalcava o bolso do meu pai.

Qaundo minha Tia Lita tinha uns 49, 50 anos, nasceu a Thelma a mais que raspa do tacho. Ela é afilhada dos meus pais e tinha uma voz rouca quando era pequena. Uma vez meu Tio, minha Tia e Thelma vieram aqui pra São Paulo. Fomos visitar minha avó Geni na chácara e meu pai passou em um sinal vermelho. Ela soltou essa com sua vozinha rouca: "Meu padrinho é fogo, passou no sinal vermelho". Todo mundo riu e isso rendeu histórias por muito tempo. Nem sei se ela lembra disso.

Adorava quando minha tia vinha ou eu ia, poi ela sempre costurou MUITO e sempre fazia vestidos e roupas pra mim. Interesseira né?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Velha Infância 9

Como escrevi no post anterior, eu era muito brava e minha Tia Lita me chamava de Mônica. Não acho que sou brava. Eu era muito impulsiva, falava demais mas agora estou aprendendo a ser mais diplomática.

Quando eu estudava no Comenius, na quarta-série a Kátia filha da Rute e do Flaviano estudava comigo. Mas sabe quando bate uma antipatia gratuita com a pessoa? Nossos pais são amigos, trabalharam juntos na Adria. Na hora do recreio (hoje é intervalo), a gente sentava no escadão para comer o lanche que às vezes levavávamos de casa e às vezes comprávamos na cantina. Mas era eu e a Kátia nos olharmos e uma pegava no cabelo da outra e puxava, puxava, assim sem motivo. Do jeito que começava, terminava.

Minha professora da quarta séria chamava-se Adelaide e eu não gostava muito dela, pois achava que ela fazia distinção entre os mais ou menos abastados, os mais bonitinhos e os feios. Como não gostava dela, procurava chamar sua atenção.

Tinha uma menina que estudava comigo chamada Iva que faltava demais e um dia me falou que ia faltar porque ia pra Carapicuíba (naquela época eu achava que era o cú do mundo e hoje tenho certeza que é). Na hora da chamada, ao chamar o nome da Iva, eu pra chamar atenção e procurar ser querida disse "professora ela foi pra Carapícuiba". Dona Adelaide, do alto de sua grosseria respondeu com voz de criança: "foi pra Carapicuíba? E daí? O que eu tenho a ver com isso?" Fiquei mal neste dia!

Era também meio Maria vai com as outras. Num dia a gente tinha prova de Geografia e veio a Beatriz, que se dizia minha amiga, e disse que não tinha estudado e que ia responder as questões assim: "Me desculpe mas não sei". Ela tava tirando uma com a minha cara. Eu tinha estudado, mas achei o máximo e respondi em todas as questões - me desculpe mas não sei.

A dona Adelaide trocou as provas para que a gente corrigisse e o Antonio Carlos pegou a minha e quando viu as respostas foi mostrar pra professora. Tomei uma bela chamada, olhei e vi a Beatriz rindo da minha cara e ainda pro cima ela acertou todas. Finalmente dona Adelaide pegou minha prova e disse que na reunião ela ia falar pra minha mãe desculpar mas ela não sabia a minha nota. Passei um bimestre com medo.

Na minha sala tinha também o Valdeci, um menino brigão que vi mexer com meu irmão Duda na hora do recreio. Parti pra cima dele e dei umas porradas. Ele jurou a mim e ao Duda de morte, comecei a chorar. Fomos pra Diretoria, ligaram para minha mãe e para a mãe do Valdeci virem nos buscar. Ele tomou uma suspensão, pois estava com uma faca e eu uma bronca da minha mãe.

Era muito briguenta e não passava mês que eu não brigasse na saída da escola. Era briguenta na rua de casa, tudo pra mim era motivo pra brigar. Mônica com força!

Quando saiu aquela música do Chico Buarque "Joga Pedra na Geni", as brigas se tornaram constantes, pois todos tiravam sarro da minha mãe. E mãe é sagrada!

Tinha um menino que todos os dias ia comprar pão no Seu Onofre, que comprou a Mercearia do Seu Domingos.  Quando ele passava em frente de casa gritava: "Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni..."
Minha revolta era grande e fiz um plano com o Duda.  A gente ia esperar atrás do carro do meu pai, que agora era uma Brasília Bege zerada, e quando ele gritasse eu e o Duda saíamos detrás do carro. Eu seguraria o Edílson e o Duda daria as porradas.

Plano passado, repassado, mas na hora de colocar em prática o Duda segurou e eu bati. Bati com vontade, com força e ele saiu chorando machucado. Nunca mais cantou.

Anos mais tarde o Camisa de Venus lançou a música "Silvia...piranha". A mãe de Edilson chama-se Sílvia. Se fosse naquela época eu não ia bater, eu ia na porta dele cantar. Chumbo trocado não dói.

Anos depois, ao dar aulas de Química fui sua professora e de seu irmão Edmilson. Contei pro Edmilson e tenho certeza que o irmão tirou-lhe um sarro, pois nunca mais o Edilson falou algo em minhas aulas.

Azar o dele, quem mandou ele tirar sarro da mãe dos outros?

Velha infância 8

A galera da rua sempre inventava alguma brincadeira para se divertir. Os meninos geralmente jogavam bola que alguns vizinhos chatos não devolviam ou cortavam-na. Coitados não tiveram infância ou esqueceram que também tiveram filhos. As meninas era a casinha ou brincar de concurso de miss com a organização do Gordo.

Algumas vezes as meninas e os meninos brincavam juntos. A gente jogava queimada, esconde-esconde, pega-pega, taco.

Alguns tinham mania de inventar algumas brincadeiras estranhas, como o Américo e o Marcos que ficavam correndo no quarteirão se achando os atletas.

A gente brincava do jogo das pedras, pegava mato para fazer de apito, enfim a gente se arrumava.

Nos natais todos apareciam com um brinquedo novo, fato que gerava brigas, pois muitos queriam brincar e o dono não deixava, bem no estilo "Não, o brinquedo é meu".

Mas teve um ano em que todos da rua ganharam bicicletas novas, o Duda já tinha uma que tinha ficado pequena. Acho que os pais combinaram e todos ganharam Berlinetas (é o modelo de uma bicicleta da Caloy) e as mães puderam ter férias mais tranquilas porque não tinha briga por causa de brinquedo.

A gente ficava com aquela sensação de liberdade e desfalcava o bolso dos pais pra gastar no Brandão das Bicicletas comprando acessórios: fitinhas pra colocar no guidão, buzina, enfeites pra roda. Mas foi um tempo legal.

Uma vez ganhei patins. A gente ficava andando no quintal do Luciano, porque ele também tinha ganhado um e a rua não tinha asfalto e as meninas e meninos babando de fora do portão só na inveja. Ah, os patins eram de 4 rodas e eram reguláveis.

Mas um dia tive compaixão pela minha amiga Adriana e emprestei pra ela andar. Tava de saia a coitada levou um tombo e todo mundo viu sua calcinha. Saiu chorando...rsss

Teve o tempo em que compramos rede e bola de voley e jogávamos todos os sábados e domingos até escurecer. As minhas primas Marcia e Margareth, a Eliana, a Sandrinha e o Ovo, seu irmão, a Lílian e o Marinho também jogavam com a gente. Nesta época veio morar na casa que era da Téia a Elza, o Pedro e a Isabel que esteve com a gente por toda a adolêscencia e viagens.

Ela também teve um irmão raspinha do tacho, o Júlio, que quando ouvia a famosa música do gás saía correndo atrás do caminhão dando tchau igual as crianças do comercial.

Depois veio o tempo do ping-pong, que começou com uma mesa improvisada com compensado, aí fizemos uma vaquinha e compramos uma mesa e raquetes oficiais.

Na época do ping-pong, além da nossa turma agregaram-se também o Ciro, o Milton e o Carlindinho, o Célio, o Baixinho, o Waguinho, o Walter, filhos da Rute e do Flaviano, o João Carlos e o Hertz, um primo torto meu, o Marcos Harana, o Naninha e o Japaloko queria jogar mas a gente não deixava porque ele era encrenqueiro.

O Hertz morava com a mãe Valdice, que era arrumadeira lá nos Jardins e trazia sempre bolinhas e as melhores raquetes.

A Margareth e ele começaram a ficar e se transformou em namoro. Como ele ia sempre à minha casa, meu tio Coquinho (pai da Márcia e da Margareth) tinha ciúme. Um dia ele tava sentado na casa da minha prima, meu tio chegou e falou pra ele "levanta seu cabra sem qualidade". Coitado do menino, ele ainda não trabalhava mas era um car legal.

Nesta época, começamos com as paquerinhas, as bobeiras de menina. A Adriana era a mais assanhadinha, ficava paquerando o baixinho e ele foi seu primeiro namorado. A gente usava a calçada da Adriana para fofocar sobre nossas paqueras. A Sônia era apaixonada pelo Américo, a Adriana pelo Baixinho, eu pelo Célio e a Isabel pelo Naninha. Mais tarde descobrimos que o Naninha era fachada, seu coração baria pelo irmão da Dri, o humberto.

O que a gente não sabia era que o Carioca e o Humberto ficavam ouvindo nossas conversas pela janela do quarto da mãe da Dri e o Humberto ainda lia o diário dela.

Eles eram a tentação em pessoa, um dia fizeram vários corações na minha rua, escrito Gina ama Célio e foram contar pra ele. Imagina como fiquei brava, minha tia Lita sempre me chamou de Mônica porque eu sou brava. Então imagina? Peguei um paralelepípedo e joguei no Carioca.

Dias depois, a mãe da Adriana, Alderize foi perguntar pra minha mãe se eu tava brava com o Humberto e minha mãe não sabia porquê. ela contou que eu gostava do Célio e o Humberto tinha contado pra ele. Começou meu inferno.

Minha mãe dizia, "não sabe lavar uma louça, já quer namorar o Célio, não sabe arrumar uma casa, já quer namorar o Célio". Como ela me torturou.

O resultado disso foi que eu jogava junto com o Célio, filho do saudoso seu Mané que meu pai considerava um irmão, mas não me dirigia a ele.

Hoje dou risada disso tudo. Da nossa turma fui a quem menos namorou. Oh meninas namoradeiras essas minhas amigas.

Ah e o hoje eu cumprimento o Célio e vejo que ele não era aquele Deus que eu pensava em ir ao cinema e ficar de mãos dadas. Porque naquele tempo nossa idéia de namoro era isso, ficar na calçada de mãos dadas, ir ao cinema de mãos dadas. Beijo pra gente só depois do noivado.

Como tudo mudou...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Velha infância 7

Junto com minha avó, trabalhava a Luzia que era copeira nascida em Itajubá.

Houve uma época que a chácara estava em reforma e os donos alugaram uma casa no Itaim Bibi mesmo.

Era um sobradão e tinha as dependências dos empregados que residiam lá:  minha avó e a Luzia.

A Luzia era muito boazinha e não lembro de ela comentar sobre parentes a não ser a Jarina. No mais, eu a achava solitária.

Gostava dela, pois ela me dava doces também, me ensinava colocar a mesa, a ordem dos talheres, quando colocar uma lavanda na mesa, enfim eu a considerava da minha família.

Uma vez, durante meu tempo ocioso vi que a porta do quarto da Luzia estava aberta e vi uma bela cesta de flores artificiais, parecendo aquelas flores que a gente chupava o melzinho.

Achei muito bonita, apalpei, vi que a flor era dura, mas saí.

Nos dois dias seguintes eu fiz a mesma coisa, apalpei e saí. No quarto dia, entrei, apalpei e peguei uma flor, pois, queria saber o que era duro dentro daquele papel crepom e adivinha o que tinha dentro...BALA DE COCO.

Comi, enrolei o papel da flor vazio e o coloquei lá. Comi quase todas, até que um dia minha vó me pegou com a boca na botija, ou melhor, na flor.

Contou para a Luzia e eu fiquei com medo de ela deixar de gostar de mim. Mas que nada, ela tinha um coração maior que ela.

Pegou as flores com bala que restavam e dividiu entre mim, o Duda e a Jarina.

Luzia também deixou saudades.

Tinha também o motorista da Dna. Lucia, o Sr. Oliveira para a minha vó e a Luzia e para os patrões era o Laurides.

Ele era sisudo e quando estava na casa, ficava limpando o Galaxi vermelho da madrinha do Duda e o Alfa Romeo do Antonio, filho de Dona Lucia.

Eu tinha medo dele, pois quando minha vó não estava perto, ele me dava uns passa fora quando eu chegava perto dos carros. Eu ficava com vontade de abrir o canil pros cachorros morderem ele. Nunca fiz isso porque quem ia sofrer para prendê-los era minha vó. Então eu mostrava a língua pra ele quando minha vó estava conversando com ele e não estava me olhando.

Não sei se ele ainda é vivo.