quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Velha Infância 13

A amizade de nossa turma se consolidava a cada dia e a gente tinha certeza de que nada nem ninguém iria nos separar. Doce ilusão adolescente, a vida tem um rumo para cada um de nós. Muitos passam pela nossa vida, mas poucos ficam.

Aos 14 anos meus pais já me deixavam viajar com a Adriana, Isabel e a Nana. Mas a gente sempre ia acompanhada de algum adulto. Geralmente era a mãe da Adriana.

Num carnaval fomos para a praia numa sexta-feira. Cidade Ocean.

Alugamos a casa e a Dona Alderize, a tia da Adriana e o Humberto iriam no sábado pela manhã.

Quando chegamos à casa, vimos que no quintal eram duas casas e na outra havia vários "caras". Um deles tinha um Gol GTI (era "o carro" na época) e a gente achou o máximo.

Mas éramos meninas, bichos do mato e nos trancamos em nossa casa, com "medo" dos meninos. Ficamos apovaradas quando vimos que as duas casas eram separadas por uma porta e os meninos ficavam pedindo pra gente abrir. A gente nem dormiu direito de "medo", foguinho pra dizer a verdade. E só sossegamos quando a mãe da Dri e sua tia chegaram.

Íamos à praia e quando a gente voltava, os meninos estavam lá no quintal com o som na maior altura. A tia da Adriana ficava brava com o barulho e vivia gritando com os meninos que tiravam o maior sarro. Ela falava "os maloqueiros são da Vila Sabrina", a gente ficava com vergonha, mas tudo bem.

A gente viajava com o dinheirinho contado, mas suficiente para tomar um sorvetinho, um suco, enfim se divertir.

Uma tarde fomos à sorveteria e a Nana foi a única que não tomou sorvete. A gente ficou com a pulga atrás da orelha porque ela era tão canguinha.

Neste dia a gente tava falando muitas bobagens e o sorvete da Adriana estava derretendo e a Isabel saiu com essa: "Seu sorvete tá tendo um "ÓRGAMOS", em vez de dizer orgasmo. A gente riu até e voltou pra casa porque a Nana ia fazer escova (é acreditem na praia ela fazia escova) pra gente ir pular carnaval no Ocean Praia Clube à noite.

A gente tava animadíssima para o baile, pensando quantos gatinhos a gente ia encontrar. Mas enquanto a Nana se arrumava a gente mexeu nas coisas dela e a Adriana encontrou um "bolo" de dinheiro escondido numa blusa da Nana. Pão dura!

Aqui no litoral, as pessoas tinham mania de jogar bexiguinhas d´agua nas outras. Como a gente estava indo pro baile, resolvemos ir pelo calçadão da praia para que ninguém jogasse nada na gente.

A gente tava toda desencanada de shortinho e chinelos e a Nana tava maquiada, de saltinho e shortinho com cinto. Ela tinha mania de andar de social.

De repente, um cara atravessou a rua com um balde d´agua na mão e jogou na cabeça da Nana. A gente começou a rir e a Nana disse: "Foram jogar justo na mais arrumadinha?" Rsssss

Voltamos pra casa e o Ocian Praia Clube ficou para o dia seguinte. Fomos, o baile era uma porcaria e só tocava "Bandeira Branca" e só tinha tiozinhos. Voltamos antes do fim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Velha Infância 12

Na época do ginásio, alguns de nossa turma estavam na mesma série ou em série avançada ou em inferior. Portanto, na escola cada um tinha sua turminha a qual incorporava na entrada, na hora do recreio e na saída.
Chegando em casa, a turma voltava ao seu normal. Ou seja, a gente voltava às amizades da rua.

Estudei com o Naninha desde a primeira até a quinta série. Ele é filho da Dona Dadá e seu pai se chamava Valdomiro, ou seu Miro. Ele era muito divertido, marceneiro e tinha uma Brasília vermelha que algum tempo depois virou "nossa".

O Naninha sempre teve um coração de ouro e a gente abusava dele. Na hora do recreio ele comprava biscoito de polvilho e a gente chegava junto e comia tudo. O coitado ficava sem nada. Até q ele começou a deixar a gente comer e comprar um só pra ele.

Uma vez tivemos que apresentar um teatro de marionetes. O Naninha deu a idéia de a gente apresentar um teatro do "Clube do Bolinha", quem não se lembra de suas dançarinas e do famoso bordão "Um passo para o sucessooooooo!". Seu Miro fez o palco, a Dona Dadá a cortina, nós fizemos as marionetes e o Naninha imitava o Bolinha. Foi um sucesso.

Fora as aulas, o Naninha era amigo a turma da nossa rua. A Dona Dadá fazia pizzas pra gente ir comer lá na casa dela todos os sábados. Ela gostava de ter os filhos e os amigos de seus filhos por perto.

Ela o chamava de Ninha e tinha um cachorro que tratava como filho, o Husky.

Era muito engraçado vê-la na sisudez de mãe e quando estava conversando com as nossas mães falando "bobiças", qua na época eu não entendia.

Até hoje ela não mudou, só que agora fala as "bobiças" pra mim também.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Velha Infância 11

Minha casa e a casa do "Seu Carlindo" e "Dona Carminha" eram o nosso QG. Quando não estávamos numa casa, podiam procurar na outra.

Nesta época a turma já tava bem grande. Éramos: Eu, a Adriana, a Isabel, e eventualmente a Inês que era muito séria. Os meninos eram: O Duda, o Ciro, o 1000thon, o Carlindinho, o Naninha, o Edsinho e o Dentinho.

Aos sábados alugávamos várias fitas de vídeo e ficávamos assistindo na casa de Dona Carminha. A gente comprava, esfiha, pizza, coca-cola, pipoca e ficava quase a noite toda.

A gente fazia muita bagunça, o Duda ficava jogando almofadas em todos até que a Dona Carminha falava: "Deixe de tentação menino". Parava por poucos minutos e começava de novo.

Já seu Carlindo queria mesmo era nos recrutar pro dominó. Os mais fanáticos sempre foram o 1000thon e o Naninha.

A tv e o vídeo ficavam em um quarto vazio com colchões. Detalhe o controle remoto da tv era um cabo de vassoura.

Assim eram nossos sábados e às vezes domingos.

Os meninos sempre foram Corinthianos fanáticos como eu, e meus irmãos e meu pai Santistas roxos. Eles iam assistir aos jogos do Santos em casa e ficavam catimbando o Santos para perder. Funcionou 2 vezes, depois meu pai não deixava eles entrarem em dia de jogo. Passional total.

O Ciro sempre jantava às 19h30 e ele mesmo se virava. Comprava pasteizinhos e nuggets e os preparava. Eu e o Dentinho íamos lá quase todos os dias no horário da janta dele e ele nunca nos oferecia e fritava a conta certa pra ele. Adivinha se eu e o Dentinho não roubávamos sua mistura. Ele virava fera. Nunca mexam na comida do Ciro...rsss

Todos nós nos sentíamos em casa, mesmo que os meninos não estivessem. a gente chamava, entrava e ficava lá, ora conversando com a Dona Carminha, ora assistindo televisão, ou simplesmente lendo jornal até que um deles chegassem. Hoje o Ciro mora em BH por conta do trabalho, a Inês casou e infelizmente não temos mais a querida Dona Carminha. Mas a recepção nunca mudou.

Hoje quem nos recebe é o Sr. Carlindo, o Frango, ops, André (raspa do tacho) e quando não está atrás de suas conquistas o 1000thon. Ah e também o Felipe, o papagaio da casa.

Velha Infância 10

Sempre passávamos alguns dias das férias em Jõao Monlevade-MG. Todas as vezes que íamos pra lá era uma festa.

A gente ficava com duas vós: a Geny e a vó Julieta, casada com meu avô "Seu Zé Fernandes". Ele, assim como meu tio Betão trabalhavam na Belgo Mineira.

Na casa deles, todos os netos eram reis e rainhas e a gente adorava. Minha avó cozinhava no forno à lenha, tinha um pomar no quintal atrás da casa e meu vô era apicultor nas horas vagas.

Todos os dias de manhã, a vó Julieta preparava nosso café da manhã, pão com queijo, bolo e logo depois já emendava o preparo do almoço, que a gente saboreava tomando Guarapan.

A casa ficava em frente à uns taludes que a gente ficava brincando de acampamento com os filhos da vizinha
Dona Lili.

Comia canudinhos de doce de leite, feitos pela esposa do "Seu Dequinha" e adorava quando meu pai e meu avô iam tomar uma cachacinha no bar, pois eu ia junto e ganhava vários doces.

O Joel era neto de minha avó Julieta, mas ela o tratava como filho e ele brincava muito com a gente.

Um dia a gente resolveu fazer um piquenique na montanha em frente à casa dos meus avós, minha vó nos deu lanches, as meninas e meninos da vizinha levaram suco e a gente passou uma tarde tão boa, que esqueceu de voltar. Aí a gente só ouve minha mãe gritar: Gina, Duda, hora de voltar.

Ao lado da casa de meus avós tinha o Hotel Santo Elói e em sua frente um talude cheio de entulhos. Um dia o Zezé, filho da vizinha de minha vó Julieta ficou imitando meu sotaque. Fiquei brava, baixou a Mônica em mim e eu empurrei o Zezé talude abaixo. Não sei como ele não se machucou. Ainda o chamei de porco e disse que porco tinha q ficar no chiqueiro e lá era o lugar dele. Só não apanhei porque minha vó não deixou.

A gente visitava as primas e primos da minha mãe e eu gostava porque sempre tinha uma guloseima pra comer. Depois que comia, achava a conversa chata e ficava louca pra ir embora. O irmão da minha mãe, o Tio Fernandinho que morava na Vila Tanque e eu o achava cientista, pois ele fazia crescer xuxu dentro de garrafas. Minha tia Nilza, sua esposa, fazia as melhores batatas fritas do mundo. Quando voltava à São Paulo eu batia no peito de orgulho ao dizer que tinha um tio cientista.

Tinha também o meu Tio Hélio, surdo-mudo, mas considerado o melhor mecânico de Monlevade. Ele era muito carinhoso, assim como meu Tio Beto que era meu xodó, até depois que ele casou com a Margareth, minha tia querida também não larguei do pé dos dois.

Eles tinham muitos amigos e todos iam nos visitar.

Depois de Monlevade a gente ia pra Itabira, casa de minha Tia Lita e meu Tio Geraldo. Lá tinha uns primos maiores que nós e outros de nossa idade. Tinha o Ely, o Geraldo José, a Eliana e o Fernando e a Elaine eram da nossa idade. O Fernando sempre escondia minha chupeta e a gente vivia em pé de guerra. Uma vez a gente tava indo embora e eu desesperada com a chupeta. O Fernando trouxe e coloquei-a na boca. ele saiu correndo pois ele tinha posto pimenta na minha chupeta. Isso rendeu anos de mágoa besta, pois nunca mais falei com ele. Anos mais tarde, só falava oi e tchau. Ele ficou doente, infelizmente faleceu e hoje percebo como fiz errado. Coisas de criança, são coisas pra lembrar e rir. Pena que não pude rir com ele por puro orgulho.

A casa da tia dava fundos para um asilo e nossa diversão era ficar olhando os velhinhos. Tinha a Deuzita uma senhora que tinha problemas mentais como a maioria dos velhinhos de lá. Todas as vezes que a gente olhava mexíamos com ela pra ela nos xingar. Ela jogava na gente tudo que tinha na frente e às vezes eram pedras. Nesta hora a Tia Lita saía no quintal e mandava a gente descer do muro. No asilo também tinha  a Bala Doce, uma senhora que não podia nos ver que pedia "uma bala doce".

Eu a a Elaine, nos correspondíamos por cartas, contando as novidades. Coisas de criança. Tempos bons.

Tinha a Neoci e o Filhinho, vizinhos dos meus tios. Seus filhos Islen, o Jose, que até grande também chupava chupetas como eu e o raspinha do tacho q não lembro o nome.

No casamento não sei se do Ely ou do Gerlado José, nós fomos e minha vó Geny também. A desagradável da Neoci ficou tirando sarro da bolsa da minha vó Geny. Até hoje acho o fim uma pessoa desrespeitar os idosos. Minha porção Mônica se manifestou, pois vi que minha vó ficara chateada, mas ela era adulta e meus pais ensinaram a respeitar os mais velhos. Mas meu respeito por ela acabou ali, pra sempre.

Em Itabira a gente visitava a Tia Peixinha, ia ao Valério Doce. Perto da casa da minha Tia tinha uma doceria que desfalcava o bolso do meu pai.

Qaundo minha Tia Lita tinha uns 49, 50 anos, nasceu a Thelma a mais que raspa do tacho. Ela é afilhada dos meus pais e tinha uma voz rouca quando era pequena. Uma vez meu Tio, minha Tia e Thelma vieram aqui pra São Paulo. Fomos visitar minha avó Geni na chácara e meu pai passou em um sinal vermelho. Ela soltou essa com sua vozinha rouca: "Meu padrinho é fogo, passou no sinal vermelho". Todo mundo riu e isso rendeu histórias por muito tempo. Nem sei se ela lembra disso.

Adorava quando minha tia vinha ou eu ia, poi ela sempre costurou MUITO e sempre fazia vestidos e roupas pra mim. Interesseira né?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Velha Infância 9

Como escrevi no post anterior, eu era muito brava e minha Tia Lita me chamava de Mônica. Não acho que sou brava. Eu era muito impulsiva, falava demais mas agora estou aprendendo a ser mais diplomática.

Quando eu estudava no Comenius, na quarta-série a Kátia filha da Rute e do Flaviano estudava comigo. Mas sabe quando bate uma antipatia gratuita com a pessoa? Nossos pais são amigos, trabalharam juntos na Adria. Na hora do recreio (hoje é intervalo), a gente sentava no escadão para comer o lanche que às vezes levavávamos de casa e às vezes comprávamos na cantina. Mas era eu e a Kátia nos olharmos e uma pegava no cabelo da outra e puxava, puxava, assim sem motivo. Do jeito que começava, terminava.

Minha professora da quarta séria chamava-se Adelaide e eu não gostava muito dela, pois achava que ela fazia distinção entre os mais ou menos abastados, os mais bonitinhos e os feios. Como não gostava dela, procurava chamar sua atenção.

Tinha uma menina que estudava comigo chamada Iva que faltava demais e um dia me falou que ia faltar porque ia pra Carapicuíba (naquela época eu achava que era o cú do mundo e hoje tenho certeza que é). Na hora da chamada, ao chamar o nome da Iva, eu pra chamar atenção e procurar ser querida disse "professora ela foi pra Carapícuiba". Dona Adelaide, do alto de sua grosseria respondeu com voz de criança: "foi pra Carapicuíba? E daí? O que eu tenho a ver com isso?" Fiquei mal neste dia!

Era também meio Maria vai com as outras. Num dia a gente tinha prova de Geografia e veio a Beatriz, que se dizia minha amiga, e disse que não tinha estudado e que ia responder as questões assim: "Me desculpe mas não sei". Ela tava tirando uma com a minha cara. Eu tinha estudado, mas achei o máximo e respondi em todas as questões - me desculpe mas não sei.

A dona Adelaide trocou as provas para que a gente corrigisse e o Antonio Carlos pegou a minha e quando viu as respostas foi mostrar pra professora. Tomei uma bela chamada, olhei e vi a Beatriz rindo da minha cara e ainda pro cima ela acertou todas. Finalmente dona Adelaide pegou minha prova e disse que na reunião ela ia falar pra minha mãe desculpar mas ela não sabia a minha nota. Passei um bimestre com medo.

Na minha sala tinha também o Valdeci, um menino brigão que vi mexer com meu irmão Duda na hora do recreio. Parti pra cima dele e dei umas porradas. Ele jurou a mim e ao Duda de morte, comecei a chorar. Fomos pra Diretoria, ligaram para minha mãe e para a mãe do Valdeci virem nos buscar. Ele tomou uma suspensão, pois estava com uma faca e eu uma bronca da minha mãe.

Era muito briguenta e não passava mês que eu não brigasse na saída da escola. Era briguenta na rua de casa, tudo pra mim era motivo pra brigar. Mônica com força!

Quando saiu aquela música do Chico Buarque "Joga Pedra na Geni", as brigas se tornaram constantes, pois todos tiravam sarro da minha mãe. E mãe é sagrada!

Tinha um menino que todos os dias ia comprar pão no Seu Onofre, que comprou a Mercearia do Seu Domingos.  Quando ele passava em frente de casa gritava: "Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni..."
Minha revolta era grande e fiz um plano com o Duda.  A gente ia esperar atrás do carro do meu pai, que agora era uma Brasília Bege zerada, e quando ele gritasse eu e o Duda saíamos detrás do carro. Eu seguraria o Edílson e o Duda daria as porradas.

Plano passado, repassado, mas na hora de colocar em prática o Duda segurou e eu bati. Bati com vontade, com força e ele saiu chorando machucado. Nunca mais cantou.

Anos mais tarde o Camisa de Venus lançou a música "Silvia...piranha". A mãe de Edilson chama-se Sílvia. Se fosse naquela época eu não ia bater, eu ia na porta dele cantar. Chumbo trocado não dói.

Anos depois, ao dar aulas de Química fui sua professora e de seu irmão Edmilson. Contei pro Edmilson e tenho certeza que o irmão tirou-lhe um sarro, pois nunca mais o Edilson falou algo em minhas aulas.

Azar o dele, quem mandou ele tirar sarro da mãe dos outros?

Velha infância 8

A galera da rua sempre inventava alguma brincadeira para se divertir. Os meninos geralmente jogavam bola que alguns vizinhos chatos não devolviam ou cortavam-na. Coitados não tiveram infância ou esqueceram que também tiveram filhos. As meninas era a casinha ou brincar de concurso de miss com a organização do Gordo.

Algumas vezes as meninas e os meninos brincavam juntos. A gente jogava queimada, esconde-esconde, pega-pega, taco.

Alguns tinham mania de inventar algumas brincadeiras estranhas, como o Américo e o Marcos que ficavam correndo no quarteirão se achando os atletas.

A gente brincava do jogo das pedras, pegava mato para fazer de apito, enfim a gente se arrumava.

Nos natais todos apareciam com um brinquedo novo, fato que gerava brigas, pois muitos queriam brincar e o dono não deixava, bem no estilo "Não, o brinquedo é meu".

Mas teve um ano em que todos da rua ganharam bicicletas novas, o Duda já tinha uma que tinha ficado pequena. Acho que os pais combinaram e todos ganharam Berlinetas (é o modelo de uma bicicleta da Caloy) e as mães puderam ter férias mais tranquilas porque não tinha briga por causa de brinquedo.

A gente ficava com aquela sensação de liberdade e desfalcava o bolso dos pais pra gastar no Brandão das Bicicletas comprando acessórios: fitinhas pra colocar no guidão, buzina, enfeites pra roda. Mas foi um tempo legal.

Uma vez ganhei patins. A gente ficava andando no quintal do Luciano, porque ele também tinha ganhado um e a rua não tinha asfalto e as meninas e meninos babando de fora do portão só na inveja. Ah, os patins eram de 4 rodas e eram reguláveis.

Mas um dia tive compaixão pela minha amiga Adriana e emprestei pra ela andar. Tava de saia a coitada levou um tombo e todo mundo viu sua calcinha. Saiu chorando...rsss

Teve o tempo em que compramos rede e bola de voley e jogávamos todos os sábados e domingos até escurecer. As minhas primas Marcia e Margareth, a Eliana, a Sandrinha e o Ovo, seu irmão, a Lílian e o Marinho também jogavam com a gente. Nesta época veio morar na casa que era da Téia a Elza, o Pedro e a Isabel que esteve com a gente por toda a adolêscencia e viagens.

Ela também teve um irmão raspinha do tacho, o Júlio, que quando ouvia a famosa música do gás saía correndo atrás do caminhão dando tchau igual as crianças do comercial.

Depois veio o tempo do ping-pong, que começou com uma mesa improvisada com compensado, aí fizemos uma vaquinha e compramos uma mesa e raquetes oficiais.

Na época do ping-pong, além da nossa turma agregaram-se também o Ciro, o Milton e o Carlindinho, o Célio, o Baixinho, o Waguinho, o Walter, filhos da Rute e do Flaviano, o João Carlos e o Hertz, um primo torto meu, o Marcos Harana, o Naninha e o Japaloko queria jogar mas a gente não deixava porque ele era encrenqueiro.

O Hertz morava com a mãe Valdice, que era arrumadeira lá nos Jardins e trazia sempre bolinhas e as melhores raquetes.

A Margareth e ele começaram a ficar e se transformou em namoro. Como ele ia sempre à minha casa, meu tio Coquinho (pai da Márcia e da Margareth) tinha ciúme. Um dia ele tava sentado na casa da minha prima, meu tio chegou e falou pra ele "levanta seu cabra sem qualidade". Coitado do menino, ele ainda não trabalhava mas era um car legal.

Nesta época, começamos com as paquerinhas, as bobeiras de menina. A Adriana era a mais assanhadinha, ficava paquerando o baixinho e ele foi seu primeiro namorado. A gente usava a calçada da Adriana para fofocar sobre nossas paqueras. A Sônia era apaixonada pelo Américo, a Adriana pelo Baixinho, eu pelo Célio e a Isabel pelo Naninha. Mais tarde descobrimos que o Naninha era fachada, seu coração baria pelo irmão da Dri, o humberto.

O que a gente não sabia era que o Carioca e o Humberto ficavam ouvindo nossas conversas pela janela do quarto da mãe da Dri e o Humberto ainda lia o diário dela.

Eles eram a tentação em pessoa, um dia fizeram vários corações na minha rua, escrito Gina ama Célio e foram contar pra ele. Imagina como fiquei brava, minha tia Lita sempre me chamou de Mônica porque eu sou brava. Então imagina? Peguei um paralelepípedo e joguei no Carioca.

Dias depois, a mãe da Adriana, Alderize foi perguntar pra minha mãe se eu tava brava com o Humberto e minha mãe não sabia porquê. ela contou que eu gostava do Célio e o Humberto tinha contado pra ele. Começou meu inferno.

Minha mãe dizia, "não sabe lavar uma louça, já quer namorar o Célio, não sabe arrumar uma casa, já quer namorar o Célio". Como ela me torturou.

O resultado disso foi que eu jogava junto com o Célio, filho do saudoso seu Mané que meu pai considerava um irmão, mas não me dirigia a ele.

Hoje dou risada disso tudo. Da nossa turma fui a quem menos namorou. Oh meninas namoradeiras essas minhas amigas.

Ah e o hoje eu cumprimento o Célio e vejo que ele não era aquele Deus que eu pensava em ir ao cinema e ficar de mãos dadas. Porque naquele tempo nossa idéia de namoro era isso, ficar na calçada de mãos dadas, ir ao cinema de mãos dadas. Beijo pra gente só depois do noivado.

Como tudo mudou...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Velha infância 7

Junto com minha avó, trabalhava a Luzia que era copeira nascida em Itajubá.

Houve uma época que a chácara estava em reforma e os donos alugaram uma casa no Itaim Bibi mesmo.

Era um sobradão e tinha as dependências dos empregados que residiam lá:  minha avó e a Luzia.

A Luzia era muito boazinha e não lembro de ela comentar sobre parentes a não ser a Jarina. No mais, eu a achava solitária.

Gostava dela, pois ela me dava doces também, me ensinava colocar a mesa, a ordem dos talheres, quando colocar uma lavanda na mesa, enfim eu a considerava da minha família.

Uma vez, durante meu tempo ocioso vi que a porta do quarto da Luzia estava aberta e vi uma bela cesta de flores artificiais, parecendo aquelas flores que a gente chupava o melzinho.

Achei muito bonita, apalpei, vi que a flor era dura, mas saí.

Nos dois dias seguintes eu fiz a mesma coisa, apalpei e saí. No quarto dia, entrei, apalpei e peguei uma flor, pois, queria saber o que era duro dentro daquele papel crepom e adivinha o que tinha dentro...BALA DE COCO.

Comi, enrolei o papel da flor vazio e o coloquei lá. Comi quase todas, até que um dia minha vó me pegou com a boca na botija, ou melhor, na flor.

Contou para a Luzia e eu fiquei com medo de ela deixar de gostar de mim. Mas que nada, ela tinha um coração maior que ela.

Pegou as flores com bala que restavam e dividiu entre mim, o Duda e a Jarina.

Luzia também deixou saudades.

Tinha também o motorista da Dna. Lucia, o Sr. Oliveira para a minha vó e a Luzia e para os patrões era o Laurides.

Ele era sisudo e quando estava na casa, ficava limpando o Galaxi vermelho da madrinha do Duda e o Alfa Romeo do Antonio, filho de Dona Lucia.

Eu tinha medo dele, pois quando minha vó não estava perto, ele me dava uns passa fora quando eu chegava perto dos carros. Eu ficava com vontade de abrir o canil pros cachorros morderem ele. Nunca fiz isso porque quem ia sofrer para prendê-los era minha vó. Então eu mostrava a língua pra ele quando minha vó estava conversando com ele e não estava me olhando.

Não sei se ele ainda é vivo.