terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Que tempo bom, que não volta nunca mais!!!!!!!!!!!

À medida que a turma da rua ia crescendo, alguns de nós íamos estreitando nossos laços e eu, a Adriana e a Isabel estávamos sempre juntas aos meninos, Duda, Ciro, Vaguinho, Naninha, Dentinho, 1000thon, Carlindo, Américo, Well.

Os meninos começaram a trabalhar antes da gente, mas as meninas sempre arrumavam um dinheirinho pra sair com eles.

Íamos ao cinema Paramount, na Brigadeiro, ao cinema do Shopping Ibirapuera, íamos à Esfiha Chic (naquela época não existia Habib´s nem Mister Sheik).

Era sempre uma festa e a gente causava no Catarina (ônibus). Algumas vezes tivemos que descer em frente à delegacia 35, tamanha a bagunça e aí a gente ia embora a pé.

Em São Paulo existiam poucos Mc´Donalds e a gente uma vez foi ao Mc Castelinho na Paulista, ele foi o número 1 em são Paulo e hoje já não existe mais.

O Naninha dava aquelas risadas, o Duda e o Ciro enrolavam os canudos e depois batiam o dedo e eles estouravam e nós ficávamos assoprando os canudinhos pra fazer aquele barulhão.

Imagina o que pensavam os frequentadores vendo aquele bando de bagunceiros? Pensavam que a gente era um bando de sem educação.

A bagunça foi tanta que fomos convidados a nos retirar de lá. Adivinha como saímos? Fazendo mais bagunça ainda.

Às vezes também a gente ia comer no Bexiga, bairro italiano de SP, na cantina Lazarella. A gente enfrentava fila pra entrar, mas valia a pena. Lá era um típica cantina, com salames, fitas coloridas, queijos, e muitas bugigangas penduradas. Ainda tinha o pessoal que vinha cantar em nossa mesa, batíamos palmas. Enfim a gente teve ujma adolescência bem saudável.

Ninguém bebia, era só refrigerante. Depois a gente ficava na frente do tradicional Café Piu-Piu vendo o movimento daquela "festa estranha, com gente esquisita".

Comíamos cachorro quente na barraquinha. É mesmo depois de encher as panças na cantina, sobrava um ladinho pro cachorro-quente.

E depois íamos nós andando até a Brigadeiro, para pegar o último Catarina e torcer para que o motorista não se irritasse com a bagunça e nos deixasse na 35.

"Que tempo bom...que não volta nunca mais"

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Introspecção

Hoje, particularmente, estou num dia de introspecção daqueles bem bravos, pensando em várias coisas e com vontade de escrever tudo o que estou sentindo.

Quando tiver um ou mais filhos, quero criá-los como mãe mas de forma que eles sejam meus amigos, que compartilhem comigo suas dúvidas, suas certezas, suas angústias, suas alegrias, descobertas, etc.

Creio que não serei uma mãe permissiva, gosto de limites e acho-os necessários, mas sempre respeitando o jeito de ser de cada um.

Quero ser uma mãe carinhosa, que acolhe, que escuta, que brinca e desta forma, quero que eles não me escondam o que se passa com eles, pois acredito que o pior sentimento que um filho pode ter a respeito de uma mãe é o medo e a desconfiança.

Também acho que deve ser difícil criar filhos, pois como diz o ditado "Os dedos da mão não são iguais, imagine os filhos". É um grande desafio, mas creio que a mãe enxerga as diferenças, respeita, orienta e acima de tudo AMA seus filhos independente de suas diferenças.

Acredito que com todas estas diferenças, um dos fatores fundamentais de uma família é a união, o amicismo entre os pais e filhos. Uma mãe nunca deve incitar um filho contra outro.

Uma vez, vi dois irmãos brigando e a mãe ao invés de ignorar ou incitar os chamou, não gritou, conversou e frisou que eles tinham que ser amigos sempre. Os fez se abraçarem e se beijarem.

Achei muito bonito e caiu uma lágrima. Quero criar meus filhos assim!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Velha Infância 17

Minha mãe e a Tereza viviam se juntando em algumas tardes do mês para fazer bolos para eu, o Duda, o Hélder e o Victor.

Elas passavam a tarde inteira assando, recheando e a gente de minuto a minuto ia perguntar se estavam prontos.

Geralmente era mais que um bolo, e a especialidade delas era um bolo de amendoin (maravilhoso) e o bolo de Coca-Cola.

Depois de terminar elas dividiam os bolos na metade, uma metade de cada bolo para cada uma e a gente podia saborear.

Minha mãe sempre falava que o bolo estava quente, que precisava gelar. Sinônimo para, só vão comer depois da janta.

Como as horas demoravam a passar...

A gente jantava e aí podia saborear os bolos, e eles duravam uns 3 dias. Depois que acabavam a gente atormentava para elas fazerem mais.

Fora os bolos, minha mãe sempre nos fazia uns pasteizinhos de massa e queijo parmesão que nos esperavam chegar da escola quentinhos. Até hoje elas os faz, mas como não moro mais lá, só como quando ela faz e estou por lá ou quando ela guarda um pouquinho pra mim.

Faz também pães de minuto, saladas de carne, uma delícia.

Minha mãe cozinha muito bem, não tão bem como minha avó Geny, sua mãe, mas está bem acima da média.

Eu não gosto muito de cozinhar por obrigação, meu marido coitado sofre com isso, pois não faço comida todos os dias, faço somente quando quero. Porém quando faço, é com tanto amor que a comida sai sempre saborosa.

Quando eu era mais nova, gostava de fazer bolos e todos os aniversários na casa da Adriana eu era convocada pela Alderize, sua mãe, para fazer bolo prestígio.

Hoje em dia sou melhor na comida, do que nos doces e bolos. Perdi a prática.

Ou talvez após quase três anos de casada, não tenha aprendido a usar meu forno.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Velha Infância 16

Comecei a trabalhar com 16 anos na Sociedade Casa Branca de Contabilidade, em frente ao Lar Croatia na estação Conceição do metrô. Era recepcionista e quem arrumou para mim e para o Humberto, irmão da Adriana que era office-boy, foi a Kátia irmã do Waguinho.

Lá meus chefes eram a temida Helena Seo, que como diz meu pai fumava como uma caipora (naquela época não tinham as proibições de hoje com relação ao fumo) e o Luiz Shoji Kurata que era tido como bonzinho pelos outros.

Trabalhei lá exatos 30 dias - 18/03 e 18/04. Ao contrário de todos os outros funcionários eu gostava da Helena e detestava o Luiz que eu achava um grosso.

A cada dia ele me fazia uma grosseria o que me fazia ir chorando trabalhar todos os dias até que meu pai sentenciou "Sai dessa merda, porque não aguento esse choro todo dia de manhã". E foi o que fiz.

Mas antes de contar isso, eu tomava conta dos office-boys, o livro caixa (que a Helena me dizia que eu era a primeira que o controlava corretamente), aprendi a manusear um guia de ruas e atendia o telefone. Apesar de não tomar café tinha que fazê-lo e limpar o banheiro, coisa que não fazia nem em minha casa.

Tinham momentos engraçados quando no meio do dia e as máquinas de calcular pegando fogo, a Kátia levantava, fazia uma dancinha e cantava "é disso que gosto, é disso que eu gosto".

O Gerson que estudou comigo também trabalhava lá.

A gente levava marmita que eu odiava e todas as sextas a gente comia lanche de pão francês com linguiça no bar da esquina.

Geralmente eu e o Humberto íamos e voltávamos a pé para economizar o dinheiro do busão.

Tinha mais pessoas legais e sempre como em todos os lugares há um puxa-sacos e lá era o Marcos, que só faltava lamber o chão para os chefes passarem.

O Luiz sempre fez de tudo para ser grosso comigo e um dia, eu fui fechar as janelas de sua sala para ir embora e ele estava ao telefone. Como ele não gostava que entrassem quando ele estava ao telefone fiquei na porta. Quando ele desligou gritou comigo "O que você quer? Não pode esperar para fechar a janela?" , respondi prontamente e no mesmo tom - "Não porque tenho que ir embora pois tenho aula". Ali eu decidi que não queria mais trabalhar lá.

Fui embora contei pro meu pai que deu sua sentença e lá fui eu no dia seguinte decidida a me demitir.

Decidida até chegar lá, pois tava dando 14h e eu ainda não tinha conversado com a Helena Seo, que passou do meu lado e disse "Você tá com uma cara de ponto de interrogação". Esperei-a voltar da escrita fiscal e pedi pra falar com ela. Pedi a conta e falei a verdade, que era por causa do Luiz. Foi um alívio sair dali. A atmosfera era muito pesada.

Ela lamentou, mas aceitou. E muito tempo depois a Kátia e o Humberto diziam que ela falava "Pra cuidar do livro caixa igual a Regina, até hoje não achei".

Uma semana depois, fui trabalhar na cobrança do Clube de Campo Fazenda na Luis Góes. Quem me arrumou foi a minha prima Márcia.

Mas isto eu conto em outro post.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Velha Infância 15

Quando chegava os finais de semana de verão, a gente sempre ia tomar os famosos sorvetes da ia Ditinha.

A "sorveteria" da tia Ditinha era na garagem de sua casa e era uma máquina daquelas que tem o suco artificial em tubos, a gente escolhia o sabor e ela fazia a mágica de sair sorvete.

A gente tomava um, dois, o quanto aguentávamos.

Não existe na Catarina quem não tenha tomado o sorvete da Tia Ditinha.

Até criei uma comunidade no Orkut e depois repassei a administração da comunidade para a Viviane.

Ela era uma senhora alegre, seu marido era um senhor que eu achava ser bem mais velho que ela e hoje penso que ele tinha Mal de Parkinson.

Ela tinha um filho adotivo, que acabou com a sorveteria após ela adoecer. Uma pena.

Na entrada da escola tinha o Seu Zé do carrinho que vendia doces, balas, arrozinho rosa, dip´lik e tudo o que era porcaria. A gente adorava.

Ele ficava lá na entrada e na saída e morava na minha rua. Talve por conhecer os nossos pais, a galera da minha rua até tinha conta no Seu Zé.

Acho que ele não é mais vivo, mas adoçou a vida de muitos alunos do Comenius.

Ah tinha o sorvete quente, um pirulito em formato de sorvete, que a gente comprava e ficava chupando a tarde inteira até a hora de ir embora. Era de açucar queimado, colorido artificialmente de rosa.

Não era igual ao da tia Ditinha que refrescava, mas era muito bom.

Nosso bairro tinha muitos atrativos para os que gostavam de doces. Além da Tia Ditinha e do Seu Zé, tinha o Jerônimo que fazia balas de coco que eram de comer rezando. Minha mãe encomendava para nós, mas bastava sobrar uns trocadinhos a gente corria no Jerônimo para comprar um pouquinho de bala.

Tinha também a perua do padeiro, que vendia pães doces, roscas e bisnaguinhas que eram as nossas preferidas lá em casa.

Um dia, o Fábio, muito pequeno fez questão de ir pegar as bisnaguinhas na perua e saiu levando uma sacolinha. Chegando lá ele disse "quero 8 nhaguinha". Minha mãe da janela ajudou o padeiro e confirmou o pedido, 8 bisnaguinhas.

Não posso esquecer da pamonha, pamonha, pamonha, pamonha de Piracicaba. Nunca gostei de pamonha, então essa passagem me era indiferente. Um dia a gente tava em frente à casa da Dri e a Gabi nos disse que não sabia porque ele falava pamonha de Piracicaba, pois Pira nem é a cidade da pamonha. Coisas de Laurinha....

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Velha Infância 14

Minha mãe quando pequena também ia com minha avó Geny passar as férias em João Monlevade matar as saudades de meu avô "Sô" Zé Fernandes.

Ela foi a "incendiária" de Monlevade. É parece título de "As Cariocas", mas não é. O incêndio foi bem mineirinho.

Não sei direito com quem ela brincava, só me lembro q ela brincava com a "Paricida" que deve ser neta da vó Julieta.

Jõao Monlevade é uma cidade que eu amo, parte de minhas raízes estão lá, mas não se desenvolveu. Imagina como era na época da minha mãe.

Tinha uma estrada de ferro que minha mãe e a "Paricida" sempre davam umas fugidinhas pra ver o trem passar. Um belo dia, as duas belas foram para a linha do trem com uma caixinha de fósforo. Lá havia umas casinhas de sapé beirando a linha.

Minha mãe e "Paricida" ficaram jogando fósforo e o trem passando. De repente o teto da casinha começou a pegar fogo. Não sabemos se foi faísca do trem ou o palito de fósforo.

Só sei que elas correram que não foi vida, e subiram a ladeira do Hotel Santo Elói a tempo de assistir de longe o desespero das pessoas para apagar o fogo.

Todo mundo ficou desesperado e elas nunca contaram a ningúem sobre o fósforo. Não sei como minha vó Geny e minha vó Julieta sabiam. Tanto que contaram pra gente tempos mais tarde!

Minha mãe nega de pé junto que não é verdade, mas eu acho que minha mãe foi incendiária sim.

A vó Julieta era uma pessoa muito simples e de bom coração. Na família ouvia a chamarem de papa-defuntos, pois, não havia morto na cidade que ela não fosse velar.

Cada um tem sua mania né?

A Elaine, minha prima, sempre foi muito bonita e chamava atenção desde pequena. Minha vó Julieta a chamava de minha "lindra", ao invés de linda, mas era muito carinhoso.

Posso contar um segredo? A gente tirava sarro da coitada toda vez que ela, chamava a Elaine de minha "lindra".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Velha Infância 13

A amizade de nossa turma se consolidava a cada dia e a gente tinha certeza de que nada nem ninguém iria nos separar. Doce ilusão adolescente, a vida tem um rumo para cada um de nós. Muitos passam pela nossa vida, mas poucos ficam.

Aos 14 anos meus pais já me deixavam viajar com a Adriana, Isabel e a Nana. Mas a gente sempre ia acompanhada de algum adulto. Geralmente era a mãe da Adriana.

Num carnaval fomos para a praia numa sexta-feira. Cidade Ocean.

Alugamos a casa e a Dona Alderize, a tia da Adriana e o Humberto iriam no sábado pela manhã.

Quando chegamos à casa, vimos que no quintal eram duas casas e na outra havia vários "caras". Um deles tinha um Gol GTI (era "o carro" na época) e a gente achou o máximo.

Mas éramos meninas, bichos do mato e nos trancamos em nossa casa, com "medo" dos meninos. Ficamos apovaradas quando vimos que as duas casas eram separadas por uma porta e os meninos ficavam pedindo pra gente abrir. A gente nem dormiu direito de "medo", foguinho pra dizer a verdade. E só sossegamos quando a mãe da Dri e sua tia chegaram.

Íamos à praia e quando a gente voltava, os meninos estavam lá no quintal com o som na maior altura. A tia da Adriana ficava brava com o barulho e vivia gritando com os meninos que tiravam o maior sarro. Ela falava "os maloqueiros são da Vila Sabrina", a gente ficava com vergonha, mas tudo bem.

A gente viajava com o dinheirinho contado, mas suficiente para tomar um sorvetinho, um suco, enfim se divertir.

Uma tarde fomos à sorveteria e a Nana foi a única que não tomou sorvete. A gente ficou com a pulga atrás da orelha porque ela era tão canguinha.

Neste dia a gente tava falando muitas bobagens e o sorvete da Adriana estava derretendo e a Isabel saiu com essa: "Seu sorvete tá tendo um "ÓRGAMOS", em vez de dizer orgasmo. A gente riu até e voltou pra casa porque a Nana ia fazer escova (é acreditem na praia ela fazia escova) pra gente ir pular carnaval no Ocean Praia Clube à noite.

A gente tava animadíssima para o baile, pensando quantos gatinhos a gente ia encontrar. Mas enquanto a Nana se arrumava a gente mexeu nas coisas dela e a Adriana encontrou um "bolo" de dinheiro escondido numa blusa da Nana. Pão dura!

Aqui no litoral, as pessoas tinham mania de jogar bexiguinhas d´agua nas outras. Como a gente estava indo pro baile, resolvemos ir pelo calçadão da praia para que ninguém jogasse nada na gente.

A gente tava toda desencanada de shortinho e chinelos e a Nana tava maquiada, de saltinho e shortinho com cinto. Ela tinha mania de andar de social.

De repente, um cara atravessou a rua com um balde d´agua na mão e jogou na cabeça da Nana. A gente começou a rir e a Nana disse: "Foram jogar justo na mais arrumadinha?" Rsssss

Voltamos pra casa e o Ocian Praia Clube ficou para o dia seguinte. Fomos, o baile era uma porcaria e só tocava "Bandeira Branca" e só tinha tiozinhos. Voltamos antes do fim.